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avenida paulista aos domingos


Quelques lettres et des photos

Em uma mesa, alguns arquivos e uma fotografia da família Jarowslav. Um stop motion que conta a história da família antes e durante a guerra. Objetos do cotidiano se envolvem na história e paisagem. Mais uma vez, a animação stop motion nos deu a oportunidade de transformar uma mesa simples em um cenário. A família de Emile Jaraud, família judia da Polônia, se estabeleceu na França, onde teve um destino excepcional. Cada membro tem estado envolvido na Segunda Guerra Mundial em um nível diferente (pai, mãe e irmã - deportados / um irmão está na legião estrangeira e ao lado dos aliados / um irmão - voluntário, preso em Stalag  / outro irmão - deportado e sobrevivente/ e Emile e sua irmã caçula se esconderam).

(15'23 duração), stop motion.
Música Original : Dan Matz
Voz : Raphael Balluet.

Hoje tem marmelada? Tem sim, senhor!



um instante em que ele me viu e sorriu


aqui choveu



reflexos da chuva





...um sonho

Sonhei que estava sentada no meio de uma sala imensa sem móveis, sem nada. Na minha frente tinha um livro que abri e comecei a ler em voz alta. Nas páginas as palavras ficavam dançando e eu lia palavras que não entendia o que significavam. Cheguei mais perto para tentar visualizar melhor e minha cara entrou para dentro da página e minha cabeça saiu de dentro de um açucareiro que estava na mesa de jantar da minha família. Voltei com a cabeça e sai da página assustada. Virei a página e fui de novo com a cara para dentro da folha e mais uma vez eu estava lá, no meio da mesa de jantar, com a minha família ao redor sem notarem a cena absurda da minha cabeça levantando a tampa do açucareiro.
Voltei ofegante para fora do livro e já não estava mais sozinha. Na minha frente tinha um menino sentando e ele me olhava sem emoções, como um robô. Abriu a boca e esticou a língua para fora como uma máquina e então percebi  uma pequena vitrola na ponta de sua língua.
A agulha do equipamento desceu e "Changes" começou a tocar. O garoto fechou a boca, levantou e começou a dublar a voz do David Bowie, dançando pela sala.
Depois que saiu por uma enorme cortina dançando, a música foi ficando cada vez mais distante até virar apenas um eco. Levantei e fui até a cortina. O outro lado daquele pano era um palco com uma luz iluminando e me cegando de tão forte. O garoto estava ali no palco comigo, sentado em um balanço e voando pra lá e pra cá. Ao forçar a visão eu só conseguia ver uma silhueta sentada no público. O som daquele vulto comendo pipoca era quase hipnotizante e enchia o teatro inteiro. Depois comecei a escutar umas tosses, mas não tinha mais ninguém ali a não ser aquela silhueta que mastigava. Derepente as tosses e o som da pipoca se multiplicaram e eu precisava escapar de tudo aquilo. Fui correndo até a única coisa que eu conseguia ver, que era uma porta que ficava lá no fundo, atrás da platéia. Corri por um caminho de cadeiras vazias e quando me aproximei do vulto ele continuava sendo apenas um vulto. Um ser escuro e sem rosto. A porta de saída não chegava perto nunca e parecia que fugia de mim. Eu parei ofegante e vi a porta indo embora, ficando cada vez menor até sumir.

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Ando pensativa, mais do que já sou. Tanta coisa aconteceu nesse início de ano. Perdi malas, mas minha bagagem aumentou e todos os trens da minha estação estão com destinos desejáveis contudo amedrontadores. Parece que estou dividida em duas. Uma Carla está triste e não quer ir para nenhum lugar pois já se sente perdida o suficiente dentro de si mesma. A outra Carla quer se perder por caminhos inacabados como se isso fosse a razão de se viver. Se perder no que não tem certeza se consegue dar conta, se perder no que é e no que sempre foi com a expectativa de entrar em uma metamorfose absurda. Tal como uma borboleta.
Ando quieta, mais do que de costume. Voltei a dançar no silêncio como quando criança. Perdi propositalmente meus fones de ouvido e meu iPod. Meus aplicativos e links musicais não estão sendo usados a um bom tempo. Como se fosse necessário esse tempo entre a música e eu. Não tenho ânimo para cantar o que se espera, de versos prontos e decorados. Não tenho vontade de decorar mais nada. Fico fazendo sons com a boca e batucando onde for, algo ainda inexistente que crio a partir de um momento, uma paisagem, um nome, uma pessoa, uma brisa, uma árvore, um sorriso, um liquidificador fora da tomada, um pulinho de chinchila,... Se estou entre pessoas faço essas pequenas criações baixinho dentro de mim. Mas música não estou conseguindo escutar. Nenhum gênero, nada. Parece que não estou achando em nenhuma o que estou procurando e também não sei o que estou procurando. Cansei da tristeza e isso achei em muitas. A alegria ou rebeldia de algumas me incomoda por se impôr a ponto de me forçar tais sentimentos. Esses velhos e manjados sentimentos. Os "tem que" da vida que são esperados por todos em natais, carnavais e outros eventos e festivais. Cansei deles. Quero um novo. Um que nunca senti na vida. Euforia sem data marcada, fins comerciais ou edições de postagem. Que venha porque tem que vir e não porque eu tenho que sentir. Que seja especial por si só e me arranque dessa nata que não voa e nem afunda.