maquiagens

meninas, aqui algumas dicas para arrasarmos em festas...



































cafuné em palavras

não fique tristezinha...
é difícil, mas viver vem com esse pacote pesado que é o julgamentos dos outros.
pelos erros ou acertos, sempre alguém vai bater o martelo e ter uma opinião formada a seu respeito.
algumas vezes a gente escuta pessoas falarem de outras com uma certa malícia e interpretação dos acontecimentos distorcidas por própria raiva, ciúmes ou inveja.
nem que tenha sido uma revelação acurada de um comportamento, aquela vida tem dono, suas razões, estórias e sentimentos.
nesse caso é sempre bom dar uma filtrada ou ignorar opiniões alheias.
o chato que tenho a dizer aqui é que mesmo depois que se cresce essas coisas não mudam muito.
comentários maldosos sempre vão existir.
o que muda é a sua atitude de deixar afetar ou não.
o que aquela pessoa fez ou deixou de fazer não importa.
importa suas razões e isso só importa pra ela.

e aqui vai uma frase muito sábia que eu mesma deveria pensar mais para a minha vida:
é impossível agradar a todos!

;)



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Te mordisco, marisco em

: salgado mar


































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livros da minha infância

Conversando com uma amiga, vimos que compartilhamos do mesmo apego - os livros de nossa infância. Não só por tudo que representaram em nossas vidas, mas também pelo desejo de poder passar adiante a mesma viagem literária para os nossos futuros filhos. Ler junto e reviver as páginas. Cada tesouro desenterrado, cada conquista realizada, cada aventura vivida.
Vivi com eles muitas vezes entre chuvas, canecas de chocolate quente e minutos antes de dormir.
Estes são apenas alguns dos meus preferidos...



*


mais de sandra




amo as ilustrações de Sandra Dieckmann. adoro o mundo que ela cria.
se eu soubesse desenhar, queria que fosse assim.



celestina naftalina

hoje pensei muito na minha avó.
passei ao lado do prédio onde morava e me deu saudades da época em que começamos a nos aproximar.

sabe, não tive aquela vó que muitos conhecem - fofa, com talentos culinários únicos e que mima a todos.  a minha até era um grande mistério pra mim e para considera-la uma senhora fofa era necessário ter uma visão muito, mas muito ampliada do conceito.

durante a infância o contato com os meus avós era quase nulo.  se o acaso me deixasse ali sozinha com os dois ou um deles, sentia o desconforto da minha presença, por não saberem como interagir com uma criança.

com eles aprendi logo cedo que cada casa é um mundo e que existem mundos que devem ser mais respeitados e não devem ser alterados.
aprendi que não é não.. e ponto.
aprendi que não se deve tocar em nada sem permissão e nisso confesso que algumas vezes falhei.

mas também, aquela casa era um desafio para qualquer criança! cheia de objetos antigos que carregavam histórias - vasos, anjos, caixas, candelabros e objetos de arte.  e no meio de tudo isso meu olhar curioso não conseguia se desfazer do interesse por aquele - metade livro, metade caixa de música - que estava sempre ali no centro da mesa da sala de visita.
era uma tentação e as minhas pernas balançando inquietas no sofá, deviam entregar a minha ansiedade de toca-lo.  não via a hora dos adultos saírem de perto e me darem aquele prazer de poucos mas valiosos minutos, segurando e analisando aquele livro que queria ser música.
queria poder realizar seu desejo, mas lhe dar corda revelaria o meu mau comportamento.

conheci minha vó mais tarde, logo depois que minha tia faleceu.
almoçava com ela uma vez por semana, antes de ir para a aula de música.
não era sempre agradável e eu ainda me sentia como aquela menina que não podia mexer em tudo, mas quando ela relaxava e me contava histórias ou me pedia para trazer um livro e sentar com ela para folhear, era sempre uma conquista.  era um passo mais perto da minha história e da minha família.

às vezes cada uma ficava com um livro, sentadas em poltronas de frente uma para a outra.
nem sempre eu me prendia ao conteúdo, e nessas horas levantava os olhos devagar e observava com o cuidado de não ser notada, cada detalhe daquela senhora.  a meia calça marrom que sempre escorregava e deixava com um certo desleixo as poucas pernas que apareciam debaixo do vestido.  alguns botões que pareciam lutar para continuar escondendo algumas partes mais volumosa de sua cintura e peitos.  aquela peruca horrível com sua grande mecha branca que lhe dava uma imagem de vilã dos desenhos da walt disney.  suas mãos velhinhas e de dedos tortos que pareciam fazer um enorme esforço em cada troca de página.

me sentia bem de estar ali com ela. sentia
que mais do que nunca ela precisava de mim.
precisava de atenção e alguma alteração em seu mundo intocável.

e aquele cheiro de naftalina?
era o cheiro da casa, de todos os móveis, livros,.. e até mesmo dela.
queria associar minha avó com outro cheiro, mas não era mais possível depois de tantos anos.
talvez com o cheiro das massas e risotos tão italianos, bem assim como ela nunca deixou de ser.  com o cheiro do whisky que ela tomava todas as noites antes de dormir - e que também passou a tomar antes do almoço.  com o cheiro dos livros que ocupavam toda uma parede de sua pequena e rica biblioteca.  o cheiro dos móveis, forros,...
mas não, nada superava aquele forte odor de naftalina.
celestina naftalina.

hoje, em meu pequeno mundo mora o seu livro-música que tanto me cativava. e então entendi que nunca fez tanto sentido ter ele comigo para lembrar de você, celestina. pois me lembro que dividimos um pouco de música e poesia juntas e infelizmente também te segurei por pouco tempo, desejando ter tido mais.



poemas de cecília

Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha.
Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Cecília Meireles

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras distantes...
- palavras que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
- e um dia me acabarei.
Cecília Meireles

Viajo sozinha com o meu coração. 
Não ando perdida, mas desencontrada. 
Levo o meu rumo na minha mão.
Cecília Meireles


Rosa,.. por Lenita

..suas mãos de fada e seus sabores.

Lembranças ligadas a comida são as mais gostosas que tenho, as mais acessadas e acho que são as que guardo com maior carinho.
Li outro dia, que cozinhar é um ato de amor. Confesso que na hora, achei muito piegas e exagerado (acho que a minha criação fria oriental, sempre fala primeiro...). Mas, depois, refletindo e lembrando de algumas pessoas e momentos,  não tive como não concordar com a afirmação.
Uma dessas pessoas era a Rosa, caseira da casa de campo de uma amiga-irmã, uma fada com mãos delicadas que só conseguia produzir delícias, desde uma salada de alface e tomate até bolos de aniversário recheados (coisa que eu particularmente não gosto muito).
Íamos com certa frequência a Monte Verde quando era mais nova (pós-adolescência). E a expectativa do que a Rosa tinha preparado para comermos, ao chegarmos, era comum a todos.
E apesar de ter tudo para dar errado, ou ficar somente razoável (pois, em geral, chegávamos tarde e nosso jantar estava preparado, mas tínhamos que esquentar no micro-ondas), o jantar era sempre delicioso. E eram coisas simples, como: arroz, feijão, bife a milanesa, carne assada, salada de alface com tomate, entre outros, mas parecia sempre que da Rosa era mais gostoso, mais saboroso.
Todos os sabores da Rosa são inesquecíveis: a geleia de laranja, a geleia de morango, os pães (com nozes e sem nozes), os bolos (simples e recheados), o arroz, o feijão, etc... Mas um em particular é especial: o moussaká.
Nunca tinha comido moussaká antes. Descobri depois que se tratava de um prato típico da Grécia, que nada mais é do que uma “torta” salgada de batata, berinjela, molho branco, molho de tomate e queijo.
A única vez que comi o moussaká dela, só o aroma que vinha da cozinha já me enebriava... E quando dei a primeira bocada, foi paixão para uma vida inteira.
A maciez da batata e da berinjela se misturavam com os molhos e o queijo de uma forma harmoniosa e perfeita. A moussaká desmanchava na boca, e tive que segurar um longo suspiro, que certamente sairia como um sonoro hummmm (afinal de contas os pais da minha amiga, que são super finos, iam achar muito estranho...).
Procurei por anos uma receita de moussaká que fosse ao menos parecido com o da Rosa, nunca achei. Comi moussaká em diversos restaurantes, mas nenhum se iguala ao dela. Fiz dezenas de vezes, nunca consegui sabor igual ou quase igual. Tinha um certo sabor dentre todos os sabores que fiquei anos para descobrir o que era. Era o cardamomo. Achei que o segredo era a especiaria no molho, mas mesmo assim, não ficou igual.
Depois de várias tentativas, cheguei a conclusão que infelizmente nunca mais vou comer uma moussaká como a da Rosinha, que foi levar os seus sabores para outro lugar...
Ao menos, posso dizer que tenho a lembrança dela, que além de ser uma ser humano incrível e doce, tinha mãos de fada e toda comida que ela fazia era especial, e que pude me deliciar naquele moussaká, cujo aroma e sabor não saem da minha memória. Creio que o amor e o prazer que ela tinha em cozinhar é que fazia toda a diferença. E hoje, lembrando da Rosa não tenho como negar: cozinhar é um ato de amor.
texto de Lenita Satomi Hiraki