um passeio com o Mundo

Hoje fui andar na grande avenida, espairecer e deixar a noite clarear minhas idéias.
Entre passadas fui escrevendo na minha cabeça pra você, Mundo.

Mundo, como vai?
Vindo e indo?
Entre luzes fortes, na pressa ou perdido em algum canto porque a vida te colocou lá?
Não, não tenho o que te oferecer a não ser um sinto muito, talvez um sorriso.
Não, não estou vendo graça. Seria apenas para ver se ainda existe um desses em você.
Pois Mundo, muitas vezes você é injusto e cruel.

Mas Mundo, você ainda me fascina com essas vidas incríveis.
Todas são incríveis, só que algumas se abrem para você. Soltam faíscas!
Não consigo continuar andando, preciso parar e ver.
Um tempo que me dou para entender que aquilo é único, especial.

Me sinto infinita aqui, Mundo.
Gosto da noite, mais do que do dia.
A eletricidade aumenta e me enrola entre vários fios luminosos.
Os meus, os de quem passou e os de quem ainda nem chegou.

Um palhaço me chama para ver sua mímica.
Ninguém percebeu, mas ele está preso em um vidro.
- Todos estão, né palhaço?! Mas só você quer sair.

E os "loucos"? Seriam eles mais livres, mais sábios?
Andam pela vida conversando com alguém que ninguém mais vê.
"Os esquecidos".
Que só são vistos pelos que estão a ponto de sumirem também. Será?
O palhaço sabe disso.
Por isso pinta sua cara e sussurra baixinho: - Ainda estou no vidro.

A brisa levanta alguns fios do meu cabelo e uma luz fina vem em batidas que me tiram do chão.
O saxofone vibra na minha pele um calor que espanta o frio.
A guitarra me laça.
Pura eletricidade.
A luz está neles agora.

A música é universal e ultrapassa vidros, Mundo.
Faz os "loucos" esquecerem dos esquecidos.
Faz o palhaço sair para dançar.

Mundo mudo?
Sim, ás vezes me faço de surda, Mundo.
Tampo meus ouvidos para te escutar diferente.
Faço isso porque gosto da sensação.
De estar fora, mas escutar tudo dentro.
Como dentro d´água, sabe?!
Como um bebê deve escutar dentro da barriga de uma mãe.
Whoommmm.. whommmmmm... (risos)

Mãe é uma palavra que tem uma sonoridade estranha.
Estranha de falar, mas poderia escutar.
O mundo mãe me intriga e me confronta muitas vezes, Mundo.
Por isso saí para andar e observar tantas vidas.
Me faz pensar sobre a minha.
Suas infinitas possibilidades e possíveis fins.
Sobre quem sou perto do que estou.
Agora encontrei minha frequência, Mundo.
Estou pronta para deixar fluir e dar o melhor de mim.
Tem quem acha cedo, mas eu sempre achei as minhas coisas tarde.
O tarde pode ser ruim ou bom, não sei.
Agora só a vida pra me dizer, né?!