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Ando pensativa, mais do que já sou. Tanta coisa aconteceu nesse início de ano. Perdi malas, mas minha bagagem aumentou e todos os trens da minha estação estão com destinos desejáveis contudo amedrontadores. Parece que estou dividida em duas. Uma Carla está triste e não quer ir para nenhum lugar pois já se sente perdida o suficiente dentro de si mesma. A outra Carla quer se perder por caminhos inacabados como se isso fosse a razão de se viver. Se perder no que não tem certeza se consegue dar conta, se perder no que é e no que sempre foi com a expectativa de entrar em uma metamorfose absurda. Tal como uma borboleta.
Ando quieta, mais do que de costume. Voltei a dançar no silêncio como quando criança. Perdi propositalmente meus fones de ouvido e meu iPod. Meus aplicativos e links musicais não estão sendo usados a um bom tempo. Como se fosse necessário esse tempo entre a música e eu. Não tenho ânimo para cantar o que se espera, de versos prontos e decorados. Não tenho vontade de decorar mais nada. Fico fazendo sons com a boca e batucando onde for, algo ainda inexistente que crio a partir de um momento, uma paisagem, um nome, uma pessoa, uma brisa, uma árvore, um sorriso, um liquidificador fora da tomada, um pulinho de chinchila,... Se estou entre pessoas faço essas pequenas criações baixinho dentro de mim. Mas música não estou conseguindo escutar. Nenhum gênero, nada. Parece que não estou achando em nenhuma o que estou procurando e também não sei o que estou procurando. Cansei da tristeza e isso achei em muitas. A alegria ou rebeldia de algumas me incomoda por se impôr a ponto de me forçar tais sentimentos. Esses velhos e manjados sentimentos. Os "tem que" da vida que são esperados por todos em natais, carnavais e outros eventos e festivais. Cansei deles. Quero um novo. Um que nunca senti na vida. Euforia sem data marcada, fins comerciais ou edições de postagem. Que venha porque tem que vir e não porque eu tenho que sentir. Que seja especial por si só e me arranque dessa nata que não voa e nem afunda.