nina

Ela viajou de carro comigo muitas vezes enquanto meu pai dirigia e suas músicas preenchiam todo aquele espaço entre e dentro de nós. Me lembro de colocar a mão para fora da janela e sentir como se o ar que passava entre meus dedos fosse a sua voz e que sua música era capaz de tocar a minha pele, trazer o sol e inspirar os meus cabelos a dançar com o vento. Era uma força, uma liberdade que não vinha sem dor. Uma voz que viveu calada durante muito tempo, enquanto seus olhos queriam berrar. Mas foi pelos dedos que berrou e começou a falar com o mundo, amar e ser amada.