mais um ano chegando ao fim.
muita coisa aconteceu que me distânciou um pouco da natureza e do meu eu natural.
talvez por ter passado a maior parte da minha infância no meio de árvores e subindo montanhas, voltar a esse ambiente me leva para a zona de conforto e recarrega minha alma e energias.
a idéia era passar os dias desconectada de tudo que precisa de tomadas ou pilhas.
de quaquer luz piscante que não fosse a das estrelas.
assimilar a beleza de tudo sem pensar em mostrar para os outros depois.
apenas para a minha alma registrar e guardar.
sem peso para carregar.

depois de horas andando em uma floresta fechada, por uma trilha quase que inexistente, percebi que estava te encontrando novamente.
enquanto eu observava bem cada detalhe daquela floresta, cada musgo, plantação, raiz, pedra,... para não me perder, ela rasgava o mato em cada salto e respiração de sua corrida.
sentiu minha presença e iria me seguir até o pico daquela montanha.
continuei o caminho sem mostrar ter conhecimento de sua visita.
desejava manter contato, mas não queria assusta-la.

sentia seu olhar e olfato aguçado me buscando.
tentando entender as razões dos meus pensamentos em cada passada.
o porque pareço tão diferente da última vez que nos vimos.

não estamos mais tão parecidas.
faz alguns meses que mudei o cabelo de novo, deve ter reparado.
sei que passou a mão de leve nos fios enquanto eu olhava o topo das árvores.
não tenho certeza, mas parece que gostou.

chegando no pico da Pedra do Selado, fechei os olhos e quando respirei fundo senti que estava bem perto de mim.
nossos corações batiam juntos e os meus olhos se abriram para a mais perfeita vista.
um imenso e incrível horizonte que só era possível ver com ela.