quarta

quarta é o dia da semana que a minha família se junta para um jantar regado a experiências culinárias, vinhos, grapas, piadas, novidades, conhecimentos e discussões.
ontem não foi muito diferente, mas em algum momento da noite só ficaram as mulheres ao redor da mesa. e não paramos de encher os copos e falar sobre a vida e tantas lembranças.
chegamos a contar umas para as outras coisas que deixamos de falar na época, por raiva ou talvez até por não ser a hora certa.
foi um fim de noite de abraços coletivos, lágrimas e também muitas, mas muitas risadas.
depois de sair da casa, ainda fiquei um tempo com a minha irmã andando na rua.
nunca nos abraçamos tanto e rimos tanto.
sim, o álcool estava falando junto, mas isso não importa.
ela escreveu na janela de um carro uma frase que ela mesma criou (queria muito me lembrar dela agora). desenhamos nos vidros como crianças que nunca fomos juntas.
depois de um rodopio que nos distânciou e deixou cada uma em sua porta do carro, ela me mandou um beijo e disse: _te amo.
só não sei se ela escutou quando eu respondi.
tive um delay e quando pronunciei as palavras ela já estava de costas entrando no carro.

_também te amo.