filme

dica da leléca
filme que fala sobre amor e relacionamentos. vida, perdas e escolhas. de se dar a chance de viver o presente sem as influências do passado e expectativas do futuro.
lindo. adorei!


respira, carla


Entrei em uma floresta fechada e pisando em folhas secas, fui me entretendo até topar com um buraco no chão. Parecia que tinha alguém lá dentro. Olhando intensamente para aquele fundo escuro, notei dois olhinhos brilhantes.
- Olá! Tem alguém aí dentro? 
- Olá! Tem alguém aí fora? Você poderia me dar uma mão para sair daqui? 
- Claro! Espere só mais um pouco que vou buscar uma corda.
- Não! Não precisa de corda. Meus braços são longos. Com um pouco mais de força, consigo alcançar sua mão. Mas você tem que chegar perto.
- Tudo bem. Vamos tentar. Veja se alcança minha mão!

Um braço longo e fino começou a vir em minha direção. Parecia um longo galho que ia crescendo. Quando sua fina mão alcançou a minha, me puxou para dentro do buraco.


Fui caíndo em um tubo de terra sem fim. Olhando para o alto, parecia que eu ainda estava lá do outro lado, em pé e olhando para mim.


- Olá! Tem alguém aí dentro???


E eu continuava caíndo, vendo aquela imagem minha diminuir cada vez mais.

Caí até chegar em uma escuridão sem gravidade. Cheguei em um total vazio e senti meu corpo leve como uma pena. 
Percebi depois, que estava com uma corda em volta da minha cintura. Essa, me mantinha conectada ao buraco que saí. 
Meus dedos dos pés pareciam conseguir alcançar uma superfície molhada e fria. Era água. Conseguia escutar o barulho de água logo abaixo. 
Mas espera, tem algo mais aqui! Estou sentindo algo passando pelos meus pés!
Olhando com mais cuidado, vi um peixe enorme. E tomada pelo medo comecei a tentar me desfazer daquele nó para flutuar longe dali. Me soltei da corda, mas antes de conseguir tomar impulso para cima, aquele enorme peixe já estava entre minha pernas me levando para dentro daquele oceano escuro e gelado. Me agarrei em seu corpo e desesperadamente prendi minha respiração. Achei que ia morrer afogada. Comecei a lutar para conseguir manter minhas narinas e boca, fechadas. Foi aí que o peixe falou.
- Respira, Carla.
Fiz o que ele mandou e comecei a respirar dentro d'água. Não conseguia acreditar no que meu corpo estava fazendo. Como era possível aquilo? 
Foi então que vi. Aquele enorme peixe era um golfinho. 
Senti que devia me agarrar nele e deixar ser levada. O medo já estava se transformando em curiosidade.
Para minha surpresa, saímos de dentro da parede da lareira, que fica na sala. Antes de atravessar e entrar na parede das estantes, o golfinho me deixou cair no sofá e desapareceu pelo outro lado.
Fiquei um tempo perplexa com tudo aquilo. Sentada naquele sofá encharcado e sentindo a água fria escorrendo pelo meu cabelo e rosto, notei que estava respirando ar novamente. A sala estava escura e a tv ligada em algum filme antigo com Humphrey Bogart atuando. 
- Ai querido, eu devo estar surda, não é possível! Você está conseguindo escutar? Eu não escuto nada! Carla, e você? Está escutando alguma coisa? 
Meus pais estavam lá. Não entendi como eles não perceberam o que tinha acabado de acontecer. Eu estava até com algas no cabelo.
Saí correndo pelo corredor da casa, com a esperança de conseguir ver um pouco mais do golfinho. Mas eu corria e aquele corredor não terminava nunca. Não conseguia sair da casa. Não conseguia achar nenhuma porta. 
- Ei, não sou uma porta, mas sou um buraco. Se quer sair, sou uma opção. Talvez a única! - disse aquele ser de braços longos que me puxou para dentro de sí, quando eu estava na floresta.
Vi que atrás de mim o corredor continuava infinitamente. E na minha frente, lá estava ele pronto para me engolir.
- Tá bom, eu topo! Mas seja rápido e cuidadoso, para não me mastigar!
Seus braços começaram a se alongar e me levantando pela cintura foi me trazendo cada vez mais perto daquela enorme boca.
Assim que me soltou lá dentro, comecei a cair novamente. Foi uma queda tão longa que devo ter me cansado e dormido durante o trajeto.
Quando acordei já estava no gramado, do lado de fora da casa.
Uma música me acordou. Conhecia aquela música.
- Ó querida. Ó querida. Ó queriiida Clementina...
Era da minha caixinha de música que fica no meu quarto! Mas o que estava fazendo ali na grama, tocando sozinha? Ela só funciona a manivela.
Fui até lá e peguei a caixinha na mão. 
Comecei a distorcer as notas, pela força de fazer a manivela parar de rodar.
Assim que a música parou, senti que algo estava para acontecer.
As minhas pernas ficaram bambas e a grama começou a desnivelar. Tentando me equilibrar, larguei a caixinha e me agarrei no primeiro galho que vi. Uma árvore estava crescendo logo abaixo dos meus pés e eu estava ficando cada vez mais longe do chão. 
Era uma árvore de madeira escura e sem folhas. A mesma que decorava a madeira da caixinha de música, que agora estava em pedaços.
E agora, como vou descer daqui? Parece que tudo está tão longe.
Olhando ao redor era galho, e mais galho, e mais galho, e uma porta! 
Sim, uma porta que estava lá, no fim de um galho.
Fui pulando de galho em galho, até chegar no galho esperado. 
Quando virei a maçaneta e abri a porta, entrei no meu quarto.
Sem buraco. Sem galhos. Sem golfinhos. Com uma porta e com a minha caixinha de música do lado da cama.

Ó querida. Ó querida. Ó queriiiida Clementina

Estavas perdida e partiu, que pena Clementina


para Leléca


A Viagem from Carla Rossignoli on Vimeo.

Adam Green & Binki Shapiro: Here I Am


Looking down the line that you
Left a trail I hope you will undo
The echoes of failure inside someone
To learn to feel the flavor of the sun

Here I am, meet me as before and more again
Here I am as before again
I won’t let my endings keep me from you again
I won’t be kept from you again

Taking you from the back of my mind
To keep you with me always, all the time
Imagining scenes I hope for you
Pretending to be realistic too

Here I am, meet me as before and more again
Here I am as before again
I won’t let my endings keep me from you again
I won’t be kept from you again

Crack through the grip, look up at what you’ve touched
Hiding yourself in the wrong place for love

Here I am, meet me as before and more again
Here I am as before again
I won’t let my endings keep me from you again
I won’t be kept from you again


Paper Adventures by Kouichi Chiba









tão bom deitar na grama!