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E lá estava ela. No topo, orquestrando montanhas ao redor em uma noite estrelada. Cada batida forte naquele tambor iluminava um lado daquele horizonte escuro e infinito. Seus cabelos dançavam com o vento e sua pele fria parecia ainda mais iluminada com toda aquela energia que corria dentro do seu corpo.
Ela tocava de olhos fechados aquele tambor e com toda sua força, como se a vida do mundo dependesse daquelas batidas. Mas então a tragédia começou de novo. Pingos de sangue começaram a escorrer pelas suas mãos, braços, rosto e pescoço. Ela não era mais uma compositora, mas uma assassina. No meio daquele grande tambor, crescia uma cabeça sem rosto e sem cabelos. E ela não conseguia controlar aquela agressão. Não conseguia parar de bater. Queria parar, mas uma raiva dominou seu coração e sua única opção era gritar. Gritar pela dor e angústia que estava causando até acordar.

Acordar e com sorte esquecer.



Fui seguindo aquela rua escura, como se soubesse exatamente onde estava indo. Do nada a minha memória se perdeu de novo e não tinha a menor idéia de onde estava e porque. Um sino de porta chamou a minha atenção e fui me esconder para não ser avistada pela sombra que saía por ali. Assim que se distanciou do lugar que deixou, aventurei a entrar. 
O sino anuncia a minha chegada e assim vou entrando em um labirinto de livros empilhados e empoeirados. Procuro não derrubar nada, mas um gato me assusta ao se fazer notar e esbarro em uma das pilhas. Um dos livros que derrubo cai aberto. Como é possível eu estar vendo aquilo? Aquela imagem é a imagem que vejo todas as noites em meus sonhos! Pego o livro e leio baixinho: - A menina e o tambor.
- SIM?! - diz a voz de um senhor - TEM ALGUEM AÍ? POSSO AJUDAR? 
Como um fantasma, pego o livro e saio correndo deixando o gato, os livros e aquele senhor confuso para trás. Vou deixando aquela rua e tudo começa a se desfazer atrás mim. Carrego um sonho dentro de um sonho e acordo com a sensação de cair em um buraco escuro sem fim. 


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Voltando das montanhas naquele horário onde a natureza parece estar dormindo. A terra e as árvores respiram fundo. Algumas folhas sonham que estão dançando, outras que são estrelas do rock. A neblina desce como uma enorme coberta que pretende me embalar também. Mas não posso ficar. Sou uma luz que cega e que atrapalha o sono dos que estão ali escondidos descansando na escuridão.