eu gosto quando o sol me cega
e qualquer um vira uma surpresa



a gente só é feliz na medida que tenta
e só chora no metro onde se esconde



Inquilino do sol

a sombra que se gasta
a morte não me basta
inquilino do sol
procuro a chuva
para fundir o poema
em complexa elisão de astros
que se desbastam no solo
ventre aberto, exposição
de palavras ao vento
recolho com a vassoura
as folhas-metáforas
que engolem a chuva
no dorso da terra
primordial sono
na boca da esfera
em correntes de letras semiabertas
para o sopro do universo
planetas giratórios
fazem festa no papel do artífice
em estrutura interiorizada
qual pérola dentro da concha
delicada veste esconde
uma armadilha
para os pássaros famintos
que voam sem direção
para as mãos
do inquilino do sol


Alexandra Vieira de Almeida

Liz Tran







AUTO-SABOTAGEM

"tendência a se repetir, indefinidamente, atitudes destrutivas"
Ramon Mello

by ulla







é uma merda ser assim tão sentimental. tudo atinge, incomoda, machuca e faz chorar. 
eu me fecho pra não mostrar as coisas que sinto. evito olhar, escutar.  
a rejeição fere muito o coração
pessoas sentimentais se apaixonam com intensidade, quebram objetos e andam descabeladas. 
pessoas sentimentais soluçam sozinhas no cinema


POEMA CÓSMICO


eu quero
apresentar meu mundo
mas você fica olhando o espaço
vazio sem referência ouço
um som baixinho
o choro que um dia será seu

não adianta oferecer cores
estrelas flores ou um fundo de céu
que não é seu nem meu
não vou orbitar sozinho
nem ser uma foto de longa
exposição

esse universo que não chegamos
a habitar eu vou explodir cada
partícula ou planeta inventado
numa viagem sem volta
agora pretendo expandir 
apenas  luz

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Ramon Mello
Rio de Janeiro, 29 de setembro de 2012.