Namastê





O último post de uma amiga me levou de volta as minhas buscas e questões, quando bem jovem, a respeito de religião.
As minhas amigas ou eram católicas ou judias. E em casa, nunca tive uma educação religiosa. Na minha família a maioria são ateus e quem não é, não sabe bem no que está acreditando. Talvez, por me sentir como o último grupo que mencionei, aos 13 anos resolvi achar a minha religião.
Comecei perguntando para as minhas amigas como era ser o que elas eram. No que elas acreditavam. Para quem elas rezavam. O que elas tinham que fazer. Quais eram as regras.
Vi que tudo era muito mais complicado do que eu esperava. E lembro da sensação de perceber que sempre tinha muito sofrimento envolvendo essas crenças.
Deus passou a ser um nome muito pesado de se escutar e pronunciar. Mas nunca passou pela minha cabeça, desistir de achar Ele.
Aí ouvi falar do budismo. Como eles respeitam os animais, a natureza. Meditam e buscam suas respostas em um ser iluminado que conhece os segredos da felicidade. Taí, achei que finalmente tinha encontrado a minha turma! Só que a idéia da careca e de se embrulhar em um pano laranja, não me atraiu muito.
Foi então que li a respeito da wicca. O seu Deus é uma Deusa. A natureza é a sua igreja, mãe e fonte de energia. Você reza para as estrelas, planetas,... E você faz das suas palavras a sua reza. Claro que me empolguei em saber que existem rituais de encantos para cada tipo de desejo. E sim, fui aquela menininha ingênua e enfeitiçada que gastava o dinheiro do lanche com livrinhos cheios de palavras mágicas e cartas de tarô. Acho que até cheguei a acreditar que existiam bruxos e bruxas na Alemdalenda. Ah qualé, qual seria a outra razão para existir adultos em uma loja de duendes?!
Então, por um tempo me considerei uma bruxa. Claro que a idéia de morrer queimada em praça pública também não me agradava muito, só que na época não parecia pior do que ficar careca.
Mas durante esse tempo que segui a religião wicca, não fiz mais do que abraçar algumas árvores, enterrar frutas com bilhetinhos de desejos no meio e dançar desprovida de algumas peças de roupa em noites de lua cheia.

Não me entenda mal, respeito todas as religiões e não estava fazendo pouco caso de nenhuma ao escrever essas lembranças. Mas como disse são lembranças, da menina que fui e de uma mente ainda muito jovem e tola.

Se você me perguntar hoje se achei minha religião, vou dizer que sim, mas não tem um nome específico. Ela é um pouco de cada. Um pouco daquilo que aceito e admiro.

Nunca pude me considerar uma atéia. Pois mesmo no meio de tantas situações que a esperança parecia ser um sonho inalcançavel, sempre tive fé. E na minha opinião, fé é o que fortalece a alma e coração. É a energia que te empurra para a vida.