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quando perguntei se você amou ela, acho que estava na expectativa de saber que vim com algum querer. pois sinto que fiquei perto de nunca existir. e talvez essa noção me deixe assim tão afastada e distante. tão pouco confortável com a idéia "família", mesmo amando cada um que existe nela. tão confuso ser parte de uma história que mal conheço. o que faz eu ser o que sou? pois sei que não sou igual. sei que tenho outros conceitos e valores. mas de onde vem isso? de onde vem esse emocional explosivo. essa depressão. esse lado solitário que tem um livre e embriagado amor pelos bichos, coisas e pessoas? dá para amar uma árvore? uma parede? porque acho que já amei uma. e sem um pingo de álcool no organismo. sem uma razão química que não fosse a simples satisfação de saber que ela existe lá. que bom que ela existe para os artistas. para aparar o vento. criar sombra. dividir caminhos. eu sei que você não é assim. não vê o que eu vejo. será que isso é algo que eu teria em comum com ela? será? e será que era o emocional explosivo dela que fazia os objetos se espatifarem na parede? e dizer coisas horríveis? não quero ser assim. talvez por isso choro tanto. pois tenho medo de me ver em alguém que você deixou de amar. e não quero que você deixe de me amar. pois é o amor mais próximo que tenho do que é meu. do que me faz pertencer, existir e ser.