Inquilino do sol

a sombra que se gasta
a morte não me basta
inquilino do sol
procuro a chuva
para fundir o poema
em complexa elisão de astros
que se desbastam no solo
ventre aberto, exposição
de palavras ao vento
recolho com a vassoura
as folhas-metáforas
que engolem a chuva
no dorso da terra
primordial sono
na boca da esfera
em correntes de letras semiabertas
para o sopro do universo
planetas giratórios
fazem festa no papel do artífice
em estrutura interiorizada
qual pérola dentro da concha
delicada veste esconde
uma armadilha
para os pássaros famintos
que voam sem direção
para as mãos
do inquilino do sol


Alexandra Vieira de Almeida