Em uma noite, enquanto dirigia de volta para São Paulo, fui entretida com minha amiga Léks e nossos profundos papos sobre a vida. Adoro essas conversas onde não precisamos esconder nossas falhas,  culpas, medos, tristezas e mágoas. Tenho várias dessas conversas com a Leléka. Sou a mais velha entre nós duas e mesmo assim sinto que ainda tenho muito o que aprender com ela. Eu posso ajudar ela a entender que não é bom se comparar com os outros e que mesmo com vidas diferentes não somos tão diferentes por dentro. Somos todos inseguros e sentimos que estamos sozinhos com nossos medos. Foi divertido ver a sua expressão de surpresa ao perceber que eu também tenho ou já tive as mesmas inseguranças que ela. E por que eu não teria? rsrs.. Tudo é assustador e é o que faz a vida ser tão intensa.

Um dia desabafei que eu não estava bem, que a minha vida estava cinza. Que eu estava sobrevivendo a cada dia e não vivendo cada dia. Foi ela que abriu meus olhos para o que eu estava perdendo. Eu estava me perdendo para os outros terem espaço. Eu cedi tanto que cheguei a esquecer do que me fazia feliz. 
Dessa vez fui eu que me surpreendi em saber que somos parecidas nisso. Que temos o hábito de nos defazer logo de nossos planos mais desejados se outra pessoa interferir. Claro que muitas vezes podemos abrir mão de nossas vontades para estar perto e dar atenção ao outro. Mas precisamos ter o bom senso de saber pesar essas necessidades para não perder a nossa vida na vida dos outros.

O interessante é que eu não sabia do que eu sabia até a Leléka precisar saber. E ela não sabia do que ela sabia até eu precisar saber. Ou seja, nunca nos lembramos do que sabemos quando nós mesmos estamos precisando. Sempre precisamos de outro para dizer, mesmo se for algo já sabido. rs..

Entendeu porque não somos tão diferentes?!